A cidade tapioca é assim: se chover, se desfaz; se secar, quebra... A cidade tapioca é a maior e se orgulha do asfalto, ao mesmo tempo que choraminga por mais árvores, por mais espaços comuns, mais praças... Mas se houver uma árvore no caminho, é melhor passar o asfalto por cima - just in case - como adoram os novaiorquinos.
A Big Tapioca quer ser Big Apple, e ama as ciclovias de Nova Iorque, mas odeia as de São Paulo... Síndrome de Tupiniquim? Talvez!
Não são apenas os ricos da São Tapioca que só querem andar de carro, os pobres chacoalhando dentro dos coletivos também querem. Seria melhor estar no carro, atrasado, do que na lotação? Há quem diga que sim.
Mas ricos e pobres da São Tapioca amam o metrô da Apple Iorque e juram, se o transporte coletivo daqui fosse melhor, dispensariam o carro. Só esquecem que, para melhorar o transporte coletivo, os ônibus por exemplo, é preciso dar fluidez ao trânsito, e fluidez significa menos carros particulares nas ruas.
A conta é simples, trivial, óbvia... Cerca de três carros ocupam o espaço de um ônibus. Enquanto 3 carros levam 3 pares de cornos, o ônibus leva 40 ou mais pares. O problema é que os 40 dentro do ônibus ficam presos no trânsito quando, a sua frente, outros 40, em 40 carros, não encontram espeço para andar.
O que fazer?
O que fazer se, por um lado o país mede seu desempenho pelo desempenho da indústria automobilística e, por outro, a sociedade clama por menos engarrafamento? Difícil responder. Só sei que a conta não fecha. Indústria automobilística aquecida significa mais carros nas ruas, menos carros significa indústria demitindo milhares. O que fazer?
Se serve de consolo, este não é um problema exclusivo da Big Tapioca, a própria Big Apple já passou e ainda passa por este problema. A única verdade absoluta, em se tratando de soluções de mobilidade urbana, é exatamente aquela que não se quer ouvir: melhorar o trânsito significa você deixar o seu carro em casa.
"Não fará diferença", você pode pensar. Logicamente que não fará, assim como não faz diferença uma só pessoa deixar de jogar lixo na rua, uma só pessoa economizar água, uma só pessoa economizar energia... Não fará diferença, e esta é a maior das maldições humanas: nunca, ou quase nunca, agir pensando no bem comum.
